estou numa rua escura sem asfalto
só ouço latidos estrilas estalos
terra reflete vermelho em nuvens continuas
no céu escuro estrelas lúgubres apagam-se
daqui não vejo sol nem lua
há um coqueiro no fim da rua
me tento à visão daquela altura
horizonte universo estendido ampliado
montanhas falésias rios mares
mas a tentativa de subi-lo é vã
resta me conter ao seu leito
abrir o coco acender o cigarro
estender a canga e aceitar
não estar no lugar de ser
estar no lugar que se está
na companhia de cães e grilos